terça-feira, 9 de junho de 2009

O Mendigo da Praça Tiradentes

Contribuição: TEREZINHA SUELI ROCHA

O Mendigo da Praça Tiradentes
Aula do Professor Lindomar Wessler Boneti



Esse mendigo da Tiradentes, não tem cidadania plena, não tem acesso aos seus direitos, deveres e participação. Visto que o cidadão para ser pleno, precisa de instrumentos jurídicos, instrumentos de educação, fatores políticos, fatos políticos, opinião e ação produtiva. Este não é um cidadão pleno,mas sua presença causa impacto, causa desconforto a todos que o encontram.
Um “impacto político é o mendigo da Tiradentes. A sua imagem fala da sua reivindicação. Sua presença questiona”. De certa forma ele está agindo. Sua participação social é importante! O seu papel na sociedade é muito importante! O fato de sua presença ser um questionamento e de certa forma incomodar, cumpre sua função social: ser um grito em favor dos excluídos.
Por outro lado, “tudo o que temos na sociedade, está dentro da sociedade: pobres, doentes, deficientes, desempregados e todos, nesta perspectiva, estão dentro e não estão excluídos”. ( Lindomar W. Boneti, 2009 )
Hoje encontramos muitas outras modalidades de exclusão. Quem não sabe tudo de tecnologia, por exemplo, já se sente excluído do mercado de trabalho, a “desqualificação do saber” é uma das formas de exclusão. Mesmo aqueles que não dominam as novas tecnologias para seu uso pessoal, por menores que sejam as suas implicações, já se sentem fora do seu grupo. Isto sem falar dos padrões de beleza, das doenças, do desemprego e das deficiências. Na verdade o que existe não é a exclusão e sim o “ mal-estar” causado pelas diferenças.
“A diferença explicita aquela condição social, aquele modo de produção da vida etc. que foge ao padrão convencional”. ( Boneti, 2001, Ser ou Estar Pobre ? )
Na concepção de muitos pensadores, os excluídos se incluem entre si. São grupos de pessoas com as mesmas condições, que se estabelecem e se unem para tornar a vida menos difícil e mais partilhada entre todos, na comunidade.
“...conjuntos de indivíduos separados de seus atributos coletivos, entregues a si próprios, e que acumulam a maioria das desvantagens sociais: pobreza, falta de trabalho, sociabilidade restrita, condições precárias de moradia, grande exposição a todos os riscos da existência, etc. Estes excluídos são igualmente sujeitos sociais, particularmente representativos do estado da nossa sociedade tomada no seu conjunto. Aqui temos uma paisagem bastante nova”. (Robert Castel, 2006, Classes Sociais, Exclusão Social )
E o nosso mendigo da Tiradentes, estará incluído em algum desses grupos?
Ele se sente um sujeito social?

2 comentários:

  1. Amei o texto da Terezinha! Mostra não apenas conhecimento acadêmico em torno do assunto, mas também tem a pitada da emoção necessária quando discutimos este tema.

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  2. Grande texto!

    Quantos de nos somos mendigos, excluídos das possibilidades oferecidas pela sociedade a alguns escolhidos. Somos invisíveis aos olhos daqueles que não querem ver. É importante perceber que a exclusão caminha rapidamente para a não inclusão quando decidimos ficar calados diante de fatos como a vida nas ruas. Parabéns pelo seu texto e principalmente pelo seu olhar que da rosto e forma para os exluídos.

    Luciano

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