Pensar a influência do capitalismo, sob os moldes marxistas, determinou o modelo educacional lapidado pelo manifesto dos pioneiros, sob os contornos da escola nova. Na perspectiva da evolução do capitalismo, abordada na obra Condição Pós-Moderna de David Harvey, a função da escola tende a transcender a formação do indivíduo para ser meramente um “operário”, mas construir o trabalhador para participar da gestão democrática do seu local de trabalho.
Na mesma perspectiva, a democracia contemporânea não se conforma mais com a sua efetivação apenas pelo exercício do voto, mas exige a participação do cidadão no controle da própria administração pública e suas políticas. Nesse sentido, Friedrich Müller[1] aponta que, não obstante a concessão dos direitos políticos à grande parte da população, o que desaparece, crescentemente são as premissas sociais de um exercício eficaz de direitos e pretensões do status activus, implicando na própria construção da virtude política do sujeito da vida pública.
Se ser cidadão não se limita ao exercício do voto, o que determina o sentimento de responsabilidade pelo “comum” no sujeito da democracia? E de que maneira a educação escolar pode participar na construção desse sentimento ?
[1] MÜLLER, Friedrich. Quem é o povo ? São Paulo: Max Limonad, 2003. Página 97
quinta-feira, 28 de maio de 2009
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